Deputado da oposição chega à CCJ quase 4h antes da sessão de debate da denúncia

Wadih Damous (PT-RJ) foi 1º deputado a formar fila para registrar presença na sessão que discutirá se acusação contra Temer pode seguir para o STF. Reunião está marcada para as 11h desta quarta (12).

Integrante da oposição, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) foi o primeiro parlamentar a chegar nesta quarta-feira (12) ao plenário da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para registrar presença na sessão que começará a discutir o relatório que recomenda a aceitação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer.

Wadih Damous chegou às 7h20 ao plenário da comissão para tentar ser o primeiro a registrar presença na sessão para orientação (assista o vídeo com a entrevista do deputado do PT).

A sessão de debates da CCJ está marcada para as 11h desta quarta e as manifestações dos parlamentares ocorrem por ordem cronológica de inscrição. Terão direito a se pronunciar os 66 integrantes titulares da CCJ, os 66 suplentes e mais 40 deputados que não compõem a comissão.
A expectativa é de que a fase de discussão se estenda por mais de 40 horas, o que, na prática, fará com que a votação no colegiado do parecer do deputado Sergio Zveiter fique para os próximos dias.
Logo depois do parlamentar petista abrir a fila, outros quatro deputados oposicionistas se posicionaram atrás dele: Alessandro Molon (Rede-RJ), Glauber Braga (PSOL-RJ), Alice Portugal (PCdoB-BA) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Enquanto aguardavam a abertura do plenário para registrarem a presença, os deputados oposicionistas ficaram conversando e tomando café na fila formada no corredor que dá acesso à CCJ. Alguns parlamentares chegaram a levar banquinhos para sentar na fila.

Embora a tendência seja de que o clima entre os deputados esquente assim que iniciar a sessão desta quarta da CCJ, antes da reunião houve até abraço entre parlamentar da oposição e integrante da “tropa de choque” Temer na fila da CCJ.

Conhecido pelos discursos acalorados contra o governo federal nas comissões e no plenário da Câmara, o deputado Edmilson Rodrigues (PSOL-PA) abraçou, em clima de descontração, o vice-líder do governo Darcísio Perondi (PMDB-RS) no momento em que o peemedebista chegou à CCJ.

Uma das primeiras da fila, Jandira Feghali ainda alfinetou o vice-líder do governo, que é um dos mais combativos defensores de Temer no parlamento. “Para o final da fila, Perondi”, disse a parlamentar do PC do B.

‘Papel da Câmara’
Damous disse à TV Globo que quer ser o primeiro a falar assim que for liberada a manifestação dos deputados para, segundo ele, “internalizar os pontos mais importantes” que devem ser levados em consideração na análise da denúncia.
“Acho que temos que explicar ao cidadão o que está acontecendo aqui. Qual é o papel da Câmara, qual é a especificidade da Câmara. Aqui, a gente não funciona exatamente como um tribunal, mas exercemos parte das funções de um tribunal”, ressaltou Damous.

O parecer favorável ao prosseguimento do processo, apresentado na última segunda (10) pelo relator do caso, deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), será submetido após a fase de discussão à votação no plenário da CCJ. Independentemente do resultado, a denúncia seguirá para o plenário principal da Câmara.

Na tentativa de garantir apoio ao governo, partidos da base fizeram nas últimas semanas 18 remanejamentos entre os integrantes da comissão, colocando deputados aliados ao presidente Michel Temer.
No total, as movimentações envolveram 14 vagas (10 de titulares e 4 de suplentes). O troca-troca gerou críticas por parte da oposição e de uma ala governista dissidente.

A denúncia da PGR

Temer foi denunciado pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva com base nas delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS.
A denúncia foi encaminhada à Câmara, a quem cabe autorizar o STF a analisar a peça do Ministério Público. Para o presidente, a denúncia é uma “injustiça que se faz com o Brasil”.

Se 342 deputados votarem em plenário a favor do prosseguimento, a denúncia vai ao Supremo.
Se a maioria dos ministros da Corte aceitar a denúncia, Temer, então, se tornará réu e será afastado do mandato por até 180 dias.

Fonte: G1

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