Globo e instituições protagonistas na violação da Constituição tentarão a saída por cima

Wadih Damous

Pilhado em flagrante no delito mais escandaloso na história da República, ao negociar propina para calar o boca de um notório bandido encarcerado, o chefe da quadrilha golpista Michel Temer perdeu quaisquer condições de continuar ocupando de forma ilegítima a presidência da República.

Diante da gravidade da denúncia, devidamente gravada por um dos donos da JBS, Temer tenta ganhar tempo emitindo uma nota patética, negando o diálogo criminoso. A negativa, porém, terá efeito bumerangue, pois a qualquer momento o áudio que joga uma pá de cal no governo deve ser divulgado.

O quadrilheiro-mor certamente está atordoado pelo impacto da bomba atômica que veio a público na noite desta quarta-feira, 17 de maio, data já com direito a lugar cativo na história.

Ao longo da madrugada, Temer acumulou motivos de sobra para não conciliar o sono: seu principal pilar de sustentação, a Globo, não para de emitir sinais de que o abandonou à própria sorte e a base aliada golpista pede sua renúncia, no que é acompanhada até por organizações fascistas que emularam o golpe.

Ao amanhecer, mais dissabores para o conspirador que roubou a cadeira presidencial: busca e apreensão nos endereços do senador Aécio Neves, seu sócio de primeira hora na aventura golpista, suspensão do mandato do senador pelo STF e a prisão de Andrea Neves.

O governo Temer acabou. Mas o fim desse pesadelo significa o início de uma batalha de vida ou morte para a causa da democracia.

De um lado, a Globo, os seus parceiros do monopólio midiático, a base parlamentar golpista e as instituições do estado manchadas pelo protagonismo na ruptura da ordem constitucional de tudo farão para que a substituição de Temer se dê via eleição indireta, no Congresso Nacional.

Os verdugos da democracia insistirão na tese de que essa é a previsão constitucional para os casos de afastamento do presidente e do vice, desde que o mandato esteja na sua segunda metade como agora.

Essa solução por cima não será aceita pelo povo brasileiro, que, segundo todas as pesquisas, apoia por esmagadora maioria a eleição direta para presidente.

Ante a crise sem fim que os golpistas nos legaram, com o esfacelamento das instituições, a destruição da economia, a entrega das nossas riquezas e a ofensiva contra os direitos trabalhistas, previdenciários e civilizatórios, a única saída é a devolução da soberania popular aos brasileiros e brasileiras. A revolta das pessoas e a atmosfera das ruas apontam para a possibilidade concreta de reeditarmos em 2017 e campanha épica por Diretas Já de 23 anos atrás.

Vamos o ocupar o Brasil. Não aceitaremos nenhum arranjo que não passe pelo consulta ao povo. Só ele pode reconstruir o pacto republicano rasgado pelo golpe de estado.

Existe uma emenda de autoria do deputado Miro Teixeira que vem a calhar. Essa proposta, que já tramita há tempos na Câmara, muda o texto constitucional ao prever eleição direta para casos idênticos ao atual.

Enquanto isso, cabe a nós, parlamentares da oposição, impedir a todo custo que as contrarreformas sejam votadas no Congresso. Venceremos!

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