Médicos das clínicas da família do Rio estão em greve desde de 26 de outubro

*Assessoria de Comunicação do Mandato Wadih Damous

Seria cômico, se não fosse trágico. O prefeito que se elegeu com a promessa de cuidar das pessoas deixa à míngua as unidades de saúde do município do Rio, especialmente as clínicas da família, que são voltadas para a atenção básica de saúde. Os médicos dessas unidades estão em greve desde o dia 26 de outubro contra o atraso sistemático no pagamento dos salários e a falta de insumos e medicamentos. Outras categorias, como enfermeiros e psicólogos, também aderiram à paralisação.

 Antes da deflagração da movimento, a categoria chegou a ser recebida pelo secretário de Saúde, Marco Antonio Matos, que alegou, além de insuficiência orçamentária para cobrir os gastos , o  contingenciamento por parte da Secretaria de Fazenda de 540 milhões de reais.
 
Segundo a médica Valeska Antunes, a Keka, uma das lideranças do movimento, cerca de 1.300 médicos aderiram à greve. Ela lembra que o problema do atraso dos salários, que começou em fevereiro, se agravou a partir de agosto. Em algumas OS, por exemplo, os salários de setembro só foram pagos na última semana de outubro. A maioria das OS vem realizando pagamentos parciais. Há casos mais graves, como nas três OS cujos profissionais nada receberam até agora.
 
 
Valeska Antunes em ato dos servidores da atenção básica do Rio
 – Em torno de 73% da lista de medicamentos importantes estão em falta. Isso nos obriga a usar medicamentos de segunda opção. E não é menos grave o problema dos insumos. Várias unidades estão sem gaze e ataduras. Também estão em falta papel e demais materiais de escritório, e até produtos de limpeza – denuncia Keka.
 
Entre as reivindicações dos médicos, estão a recomposição do orçamento da saúde, a definição de um calendário de pagamento dos salários, a reintegração de 140 agentes comunitários de saúde  demitidos, nenhuma demissão a mais, a normalização urgente do estoque de insumos e medicamentos, além da criação de uma mesa de negociação permanente que envolva a prefeitura, as OS e os 
profissionais de saúde.
Assembleia dos médicos atenção básica do município do Rio, mais de 40% da categoria presente
 
Os grevistas, além de cumprirem a obrigação legal de manter no trabalho 30% dos servidores, vão além, realizando atividades da greve nas comunidades.  O aceno feito aos médicos em greve, segundo o qual eles seriam recebidos pelo prefeito, ainda não se confirmou. E, para se ter uma ideia do descaso da prefeitura em relação a um problema que afeta a saúde de centenas de milhares de pessoas, o
Executivo municipal não mandou representação numa reunião com as partes convocada pelo Ministério Público do Trabalho, no dia 14 passado.
 
Lotada no Consultório de Rua, equipe de saúde da família que atende à população de rua, Valeska vive cotidianamente o drama da falta de medicamentos : ” Eu não tenho um anticoncepcional injetável para aplicar nas pessoas”, lamenta.  

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