A histeria moralista que está afundando o Brasil

Wadih Damous

Em edição recente do TV Afiada, o brilhante jornalista Paulo Henrique Amorim leu mensagem sobre a situação atual do Brasil que lhe foi enviada por um dos maiores advogados do país :“É preciso salvar os empregos e a economia, punir os responsáveis por malfeitos e seguir em frente. A paralisia moralista está afundando o país. Mais racionalidade econômica e inteligência e menos histeria moralista.”

É isso. Esse vendaval udenista, ao mesmo tempo em que fecha milhões de postos de trabalho e inibe investimentos, inocula na sociedade sentimentos de intolerância e de ódio sem paralelos na história.

Pilares fundamentais do iluminismo, como a convivência entre seres humanos com valores, credos e ideologias diferentes, vão sendo dizimados à luz do dia e, mais grave, naturalizados por governos, meios de comunicação e parte expressiva da população.

A cena estarrecedora que circulou pela internet de traficantes ditos evangélicos obrigando, sob ameaça de morte, praticantes de religião de matriz africana a destruírem templos e símbolos de sua fé não pode nem deve ser vista isoladamente.

Ela é a expressão de uma sociedade gravemente enferma, cujo patologia, sem exageros, já se constitui em séria ameaça ao estado democrático de direito e ao futuro do país como uma nação na qual as pessoas possam viver e criar seus filhos com um mínimo de paz.

O punitivismo que grassa no sistema de justiça criminal do país é outro reflexo da histeria moralista apontada por PHA. Já somos o quarto país em número de encarcerados, caminhando a passos largos para em breve assumirmos a terceira posição.

Centenas de milhares de condenados por crimes de menor gravidade em vez de cumprirem penas alternativas, e não privativas de liberdade, são submetidos ao suplício das sucursais do inferno que são as nossas cadeias.

Do alto de sua soberba e arrogância, procuradores e juízes da Lava Jato, pretensos paladinos da moralidade, se lixam para o estrago que causam na economia e para o drama vivido por mais de 13 milhões de brasileiros desempregados. Com polpudos salários, em geral acima do teto constitucional, integrantes do MP e do Judiciário não perdem o sono com o resultado nefasto de sua cruzada messiânica contra a corrupção: paralisação de setores estratégicos da economia, como óleo e gás e engenharia.

Em todo o mundo ao longo da história casos de corrupção foram e são enfrentados com a responsabilização dos culpados, mas sem prejuízo da manutenção das empresas, fatores de desenvolvimento e geração de emprego e renda. Dentre tantos exemplos, vale sempre citar o caso da poderosa multinacional alemã Siemens, cujos executivos que colaboraram com Hitler acabaram condenados a duras penas, mas a companhia foi preservada e até hoje é um dos símbolos da pujança da economia alemã.

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Wadih Damous é advogado e deputado federal. Foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro entre 2007 e 2012. Presidiu a Comissão da Verdade do Rio e a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB. Presidiu Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UERJ e, como advogado, atuou e defendeu os trabalhadores. Agora, como deputado federal, após ter ocupado a vanguarda na resistência ao golpe contra a presidenta Dilma, se firmou como um pilar da legalidade democrática na Câmara dos Deputados e é um dos principais parlamentares na defesa do Lula. Sua voz hoje no parlamento é referência contra as atrocidades jurídicas da Lava Jato e o Estado de exceção no qual está mergulhado o Brasil pós-golpe, sempre apontando a urgência do resgate da democracia.

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