Por Wadih Damous, no GGN

A julgar por seguidas declarações públicas recentes, tudo indica que o ex-presidente Lula aderiu mesmo à tese da proposição de um plebiscito revogatório, caso eleito presidente da República, para anular todas as medidas do governo ilegítimo.

Do congelamento dos gastos sociais por 20 anos à reforma trabalhista que destruiu a CLT; do fim de programas sociais que melhoraram a qualidade de vida do povo à volta da política externa subserviente aos interesses dos Estados Unidos e da Europa; da liquidação da política de valorização do salário mínimo ao perdão das dívidas dos banqueiros e grandes empresários;  da leniência e incentivo aos crimes ambientais ao roubo e entrega das nossas riquezas minerais e do pré-sal às multinacionais, tudo  passaria pelo crivo da vontade soberana do povo brasileiro.

E não é preciso ter bola de cristal para prever o resultado dessa consulta. Com toda a certeza, por maioria esmagadora de votos, a obra dos golpistas, orientada pelos interesses do mercado financeiro, das  corporações empresariais e da mídia monopolista viraria pó. Os articuladores e executores do golpe de 2016 partiram da premissa de que era impossível implementar esse modelo ultraneoliberal por meio de eleições livres e democráticas.

Quatro derrotas eleitorais consecutivas foram suficientes para que os coveiros da democracia chegassem à conclusão de que somente com a exclusão do povo o caminho estaria aberto para que o governo da República cumprisse o papel de mera correia de transmissão das conveniências do mercado.

Mas os ataques e o roubo de direitos sociais, políticos, econômicos, ambientais e civilizatórios já são de tal monta que tornaria moroso e ineficaz uma busca de reversão tópica e no varejo por parte do próximo presidente legitimado pelo voto.

A extensão e a profundidade da ação golpista causaram estragos de proporções capazes de destruir o presente e comprometer o futuro do país. A resposta deve ser à altura e no atacado. Fico a imaginar o enorme potencial de um plebiscito como esse, convocado por um líder de massas do naipe de Lula, de se transformar em uma campanha cívica, incendiando corações e mentes, e envolvendo a sociedade na construção das bases de uma nova nação.

O ineditismo da convocação de um plebiscito revogatório amplo, algo sem precedentes na nossa história, além de alçar a política ao posto de comando das decisões estratégicas do país, homenageia e reforça a soberania popular e cria as condições para que se finquem as estacas definitivas de sustentação de um projeto de país justo, inclusivo e soberano.

Mais do que revogar leis, emendas, portarias e decretos contrários ao povo e ao país, a mobilização social e a efervescência provocadas pelo plebiscito teriam o condão de contribuir para corrigir uma das falhas mais graves dos governos do PT que foi a falta de investimento na formação política das massas.

Wadih Damous – deputado federal e ex-presidente da OAB.

 

 

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Wadih Damous é advogado e deputado federal. Foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro entre 2007 e 2012. Presidiu a Comissão da Verdade do Rio e a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB. Presidiu Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UERJ e, como advogado, atuou e defendeu os trabalhadores. Agora, como deputado federal, após ter ocupado a vanguarda na resistência ao golpe contra a presidenta Dilma, se firmou como um pilar da legalidade democrática na Câmara dos Deputados e é um dos principais parlamentares na defesa do Lula. Sua voz hoje no parlamento é referência contra as atrocidades jurídicas da Lava Jato e o Estado de exceção no qual está mergulhado o Brasil pós-golpe, sempre apontando a urgência do resgate da democracia.

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