Em artigo com o título Nem esperança nem equilíbrio, a jornalista Paula Cesarino Costa, a ombudswoman do jornal Folha de São Paulo, uma espécie de ouvidora independente da publicação, pratica o bom jornalismo e demonstra a carência de profissionalismo e responsabilidade nas coberturas das operações relacionadas ao combate à corrupção que inundam as manchetes da imprensa. Para ela, “é preciso tirar do chamado piloto automático a cobertura das operações policiais, de seus agentes e de seus métodos.”

“A imprensa precisa estar preparada para não ser apenas reprodutor de informações passadas por procuradores e policiais, por vezes de maneira incompleta ou manipuladora.”

Em sua coluna, Paula faz uma retrospectiva das ações policiais nas universidades brasileiras, aponta que “a ocorrência frequente de operações policiais em ambiente antes banhado em aura de superioridade moral obriga a maior reflexão” e, enquanto reconhece que “nenhuma instituição está a salvo de irregularidades”, coloca na pauta a banalização das prisões temporárias e a falta de justificativas para as conduções coercitivas.

“Em um país com a cultura de corrupção arraigada, a presunção da inocência por vezes parece deixada de lado.”

A ombudswoman põe em evidência a cobrança por uma abordagem mais abrangente e responsável dessas operações policiais que deveriam ser analisadas “também por eventuais inconsistências, arbitrariedades, objetivos políticos” para, em seguida, chamar à responsabilidade: “A imprensa não pode embarcar no clima que domina parcela da sociedade brasileira de acreditar que todos são corruptos, até que provem não sê-lo.” 

Num texto que deveria ser referenciado nas escolas de comunicação (e em cursos de reciclagens que muitos deveriam fazer), a experiente jornalista é taxativa ao cobrar que “é preciso investigação própria e uma narrativa crítica, fundamentada em fatos e equilibrada” e finaliza problematizando a dinâmica de condenações sumárias e propondo um debate entre leitores e jornalistas “na tentativa de refletir sobre a gravidade do momento que o país vive.” Isso sim é bom jornalismo.

Por Renam Brandão

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Wadih Damous é advogado e deputado federal. Foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro entre 2007 e 2012. Presidiu a Comissão da Verdade do Rio e a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB. Presidiu Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UERJ e, como advogado, atuou e defendeu os trabalhadores. Agora, como deputado federal, após ter ocupado a vanguarda na resistência ao golpe contra a presidenta Dilma, se firmou como um pilar da legalidade democrática na Câmara dos Deputados e é um dos principais parlamentares na defesa do Lula. Sua voz hoje no parlamento é referência contra as atrocidades jurídicas da Lava Jato e o Estado de exceção no qual está mergulhado o Brasil pós-golpe, sempre apontando a urgência do resgate da democracia.

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